1. PROPOSTA DE INVESTIGAÇÃO
Faz-se necessária, geralmente, uma pesquisa detalhada do assunto, sendo de grande valia informações relativas ao projeto execução da obra, tais como:
– Informações complementares fornecidas por pessoas que participaram da elaboração do projeto e da execução da obra em questão, no sentido de tentar reconstituir as diversas etapas, no que diz respeito a:
• Quando da especificação do tipo de piso (argamassa de alta resistência ou RAD) eram conhecidas as solicitações a que o mesmo estaria sujeito?
• Foi empregado ponte de aderência? Detalhes dos materiais empregados e da execução.
• Foi empregado primer? Detalhes de execução.
• Quais as condicionantes que definiram o tipo de acabamento do piso?
• Qual o tratamento superficial adotado?
• Em que época do ano foi iniciada a execução do piso, e qual o tempo de duração?
• Processo adotado na execução do piso de alta resistência (sistema de aplicação).
• Tipo de cimento utilizado.
• Características do concreto e das argamassas aplicadas: dosagens, preparo, eventuais mudanças de dosagem e de materiais e resultados de eventuais ensaios procedidos.
• Lançamento, adensamento e tipo de cura adotados.
– Verificação da compatibilidade entre os parâmetros estabelecidos em projetos (utilização, cargas e tipos de trânsito), e as solicitações reais a que o piso está sendo submetido.
– Verificação quanto a eventual exposição do piso a agentes químicos, em decorrência de transporte, ou armazenamento de tais produtos, bem como de maquinários instalados. Em caso afirmativo, deverão ser identificados os produtos, visto que estes poderão ser agressivos.
– Procedimento adotado pelo usuário, para manutenção do piso, principalmente no que diz aos produtos químicos e às concentrações em que os mesmos estão sendo ou foram utilizados.
E se os mesmos são recomendados pelo fabricante de revestimento.
– Procedimento adotado pelo usuário, com relação ao uso:
• Submeteu o RAD ao uso após o período de cura especificado?
• Submeteu o RAD a ataque químico ou exposição à água, após o período de cura especificado?
• Ocorreram choques térmicos no revestimento?
• Não submeteu o RAD ao contato com líquidos acima de 60 graus centígrados?
• Efetuou alguma perfuração no RAD sem proceder consulta prévia ao departamento técnico do fabricante?
– Verificação e análise dos resultados de ensaios de desempenhos realizados quando da execução do piso
– Deverá ser realizado estudo completo, com mapeamento das fissuras, se existirem, e demais anomalias, as quais deverão ser também pesquisadas quanto à tipicidade de sua formação.
Deverão ser analisados, ainda, a argamassa de alta resistência/RAD, o contrapiso de correção (se for o caso), a base de concreto, bem como ações externas, tais como, erosão da sub-base e infiltrações que venham modificar as características do solo ou gerar ascensão de água pôr capilaridade.
– Realização de ensaios de comprovação da qualidade do piso em argamassa de alta resistência, tais como:
• Verificação da espessura da argamassa de alta resistência;
• Verificação das resistências mecânica;
• Tração da flexão (AG1 – AG10);
• Compressão (AG1-AG10).
COMENTÁRIO
Somente mediante a caracterização da caixa ou do conjunto de causas é que será possível obter um diagnóstico preciso, então, estabelecer métodos adequados de recuperação.
CONCLUSÕES
Vários casos de insucesso são decorrentes de falta de informação ou informações imprecisas, fornecidas pelo usuário, relativas às solicitações e exigências, quando da elaboração do projeto e especificação do tipo de piso.
Relacionamos a seguir algumas das principais informações, levantamentos de campo e considerações necessárias de serem caracterizadas na fase de elaboração do projeto.
– SOLICITAÇÕES
– CARGAS ESTÁTICAS:
• Nenhuma
• Uniformemente distribuídas;
• Concentradas;
• Lineares.
– CARGAS DINÂMICAS:
• Nenhuma;
Uso em paredes, tanques e canaletas.
• Leve;
Área de circulação de pedestres, tais como escritórios, residências.
• Médio;
Usos em indústrias eletrônicas automobilísticas e oficinas com tornos mecânicos, corredores, shoppings, hangares, áreas de produção e de montagem leves com emprego de empilhadeiras com rodas de pneus.
• Alto;
Áreas de produção e de montagem pesada, tráfego de cargas pesadas, indústria frigorífica, lacticínios, indústrias químicas, indústrias de refrigerante, cerveja e bebidas, carrinhos com rodas metálicas.
• Transportes
Deverão ser fornecidos e caracterizados os tipos de transporte a serem utilizados, com as respectivas cargas sobre eixos, tipo de rodas e respectivas seções de contato com o piso.
– AÇÕES FÍSICAS
– FREQUÊNCIA DE IMPACTOS
• Intermitentes, ou seja, que ocorrem regularmente e a intervalos;
• Áreas de estocagem com palets;
• Esporádicos, ou seja, que ocorrem raras vezes ou acidentalmente, oficinas com quedas de ferramentas.
• Constantes arrastes de pesos e impactos de garfos e empilhadeiras.
– ABRASÃO
– CONTATO COM ÓLEOS
– AÇÕES FÍSICAS
Limites de temperatura do ambiente ou do líquido.
Estes dados são especialmente importantes, considerando-se que a intensidade das agressões químicas dependem das temperaturas.
Eventual choque técnico também tem influência na durabilidade da proteção superficial.
Para estas aplicações deve-se informar, por exemplo:
• Temperatura de serviço;
• Temperatura máxima e mínima;
• Velocidade de aquecimento e de resfriamento.
Os produtos químicos que terão contato com o piso, suas concentrações, e tempo de contato.
– EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS
– INEXISTÊNCIA DE PÓ
– LIMPABILIDADE
– ASPECTO SUPERFICIAL E COR
– ASSEPSIA
– REFLETÂNCIA
– SUBLEITO
– CARACTERÍSTICAS E MAGNITUDE DO CARREGAMENTO
– PESQUISA DO SOLO DE FUNDAÇÃO:
• SONDAGEM;
• CARACTERÍSTICAS DO SOLO;
• COTA DE NÍVEL D’ÁGUA;
• CAPACIDADE DE SUPORTE;
• EXISTÊNCIA DE SOLOS EXPANSIVOS.
– VERIFICAÇÕES EM BASES JÁ EXISTENTES
A serem realizadas em bases já existentes.
– Avaliação da resistência mecânica do concreto da base;
– Verificação da compatibilidade da resistência mecânica da base de concreto, com relação às solicitações mecânicas a que o piso estará sujeito;
– Verificação das condições atuais da base de concreto, com relação às anomalias, tais como: trincas, fissuras, destacamentos, porosidade elevada;
– Especificação do teor de umidade do concreto da base;
– Verificação da existência de umidade ascendente;
– Verificação da existência e da magnitude de movimentação da base por efeito técnico;
– Detalhamento dos tipos, quantidades, estado e posicionamento das juntas, bem como indicar as que apresentam movimentação;
– Verificação da existência de contaminação com óleos ou graxas;
– Sistema de drenagem/manta impermeável entre o subleito/base evitando a ascensão de umidade;
– Resistência de aderência entre camadas constituintes do piso;
– Outras interferências.
– CONSIDERAÇÕES GERAIS
– Os casos analisados nos últimos vinte anos tem nos demonstrado que, no caso de piso de argamassa de alta resistência, a utilização do sistema úmido sobre seco em projetos de piso classificados como médio ou pesado, pelo tráfego e cargas previstas, como emprego de morrote e argamassa, para posicionamento da junta entre placas, tem apresentado um quadro patológico superior ao processo úmido sobre úmido, onde a argamassa de alta resistência apresenta espessura uniforme.
– Com a elaboração da Norma relativa a procedimentos para projetos, execução e avaliação do desempenho, de revestimentos de alto desempenho (RAD’s) à base de resinas expoxídicas, estaremos fornecendo condições para os fabricantes de RAD’s melhorarem o desempenho dos produtos (caracterização), os projetistas especificarem corretamente os tipos de RAD’s em função do uso, bem como os construtores tomarem os cuidados necessários na execução (procedimento).
– Entendemos que somente com uma análise criteriosa por parte do projetista, com definição correta da utilização, é que serão definidos os tipos de pisos mais adequados técnica e economicamente para cada área da indústria, seja ele em argamassa de alta resistência, revestimento de alto desempenho à base de resina epoxídica ou anti-ácido.
– Consta a seguir quadro informativo extraído da Norma NBR1 4050, contendo a árvore de decisão para seleção do tipo de RAD mais adequado, em função das solicitações a que o piso será submetido quando em uso.
ÁRVORE DE DECISÃO PARA SELEÇÃO
|
Critério |
Requisitos e Desempenho |
Monolítico Espatulado |
Monolítico Autonivelante |
Monolítico Camadas Múltiplas |
Pintura |
Decorativo |
|
Ação Mecânica |
Impacto |
++ |
(+) |
+ |
n.a |
(+) |
|
Abrasão |
+ |
+ |
+ |
n.a |
(+) |
|
|
Condições de Tráfego (A) |
A |
L |
M |
0 |
L L |
|
|
Tração |
+ |
+ |
+ |
n.a |
+ |
|
|
Flexão |
++ |
++ |
++ |
n.a |
++ |
|
|
Compressão |
++ |
++ |
++ |
n.a |
+ |
|
|
Ação Química |
||||||
|
Acabamento Superficial |
Liso |
(+) |
+ |
n.a |
(+) |
+ |
|
Rugoso |
+ |
n.a |
+ |
(+) |
(+) |
|
|
Anti-derrapante |
+ |
n.a |
++ |
+ |
+ |
|
|
Decorativo |
(+) |
+ |
(+) |
(+) |
++ |
|
|
Limpeza |
(+) |
++ |
(+) |
+ |
+ |
|
|
Superfície de Aplicação |
Horizontal |
+ |
+ |
+ |
+ |
+ |
|
Vertical |
+ |
n.a |
n.a |
+ |
n.a |
|
|
Incl. Substrato até 1,5% |
+ |
+ |
+ |
+ |
+ |
|
|
Incl. Substrato até 5% |
+ |
n.a |
+ |
+ |
n.a |
(A) = Nenhuma L = Leve M = Médio A=Alto
(B) = Cada tipo apresenta desempenho diferenciado conforme ataque químico avaliado de acordo com o método ASTM C-267 e valores acordados previamente entre fabricantes e usuários
++ = atente bem ao requisito
+ = atente ao requisito
(+) = atente com restrições ao requisito
n.a = não se aplica ou não se recomenda