– SINTOMATOLOGIAEm fase de um efeito anormal, os pisos reagem com diferentes sinais e manifestações que nos permitem conhecer a anomalia e, consequentemente, diagnosticar as prováveis causas que a motivam.
– PISO DE ARGAMASSA DE ALTA RESISTÊNCIA
As anomalias nos pisos de alta resistência manifestam-se por sintomatologias variadas, dentre as quais citamos:
• FISSURAS;
• PLACAS TRINCADAS;
• DESNÍVEL;
• DEFICIÊNCIA DE SELAGEM DAS JUNTAS;
• BOMBEAMENTO;
• PLACAS BAILARINAS;
• ESBORCINAMENTO DE JUNTAS;
• ESMAGAMENTO;
• DESGASTE;
• DESAGREGAÇÃO;
• DESCOLAMENTO;
• EMPENAMENTO DA PLACA;
• MANCHA
Afim de facilitar o estudo das possíveis causas geradoras de patologias do piso de alta resistência, podendo dividi-las em 4 grupos, a saber:
• FALHA DE PROJETOS;
• FALHA DE EXECUÇÃO;
• UTILIZAÇÃO DE MATERIAIS INADEQUADOS;
• UTILIZAÇÃO E MANUTENÇÃO INADEQUADA DO PISO.
GRUPO 1 – PROJETO
Relacionamos a seguir as principais causas decorrentes de falha de projeto.
• Inexistência de base de concreto;
• Especificações de argamassa de alta resistência incompatível com as solicitações a que o piso estará submetido (tipo e natureza dos agregados);
• Especificações da espessura da argamassa de alta resistência incompatível com o uso;
• Placas com moldura retangular, favorecendo o surgimento de tensões internas;
• Discordância das juntas de argamassa de alta resistência com as existentes na base do concreto;
• Falta de estudo prévio e detalhamento do posicionamento de dutos e tubulações no piso, podendo gerar redução na espessura do contrapiso de correção;
• Insuficiência no espaçamento das juntas de dilatação;
• Ausência de juntas de dessolidarização no encontro com obstáculos verticais;
• Subdimensionamento da espessura da base de concreto;
• Material especificado na selagem das juntas incompatível com as solicitações que estará submetido;
• Deficiência na caracterização da sub-base;
• Falta de “manual do usuário”, contendo informações úteis quanto às condições de uso e conservação do piso, tais como, valores de cargas e solicitações, produtos e procedimentos de limpeza, vida útil dos selantes das juntas e procedimento para eventual troca dos mesmos.
GRUPO 2 – EXECUÇÃO
Relacionamos a seguir as principais falhas decorrentes de execução.
• Utilização de cimentos de tipos diferentes, ou inadequados;
• Falta de controle no preparo das argamassas, implicando em teor diferente do recomendado ou excesso de água de amaciamento (dosagem inadequada);
• Preparação inadequada da base de concreto, comprometendo a aderência do contrapiso de correção;
• Cura deficiente da base;
• Falta ou apicoamento insuficiente da superfície;
• Falta de limpeza da base, sem remoção de fragmentos, poeira, óleo etc;
• Deficiência devido à falta de encharcamento da base durante, pelo menos 24 horas;
• Aplicação do contrapiso de correção antes de decorridos 7 dias da concretagem da base de concreto;
• Excesso de argamassa no morrote de sustentação do perfil da junta, reduzindo a espessura da argamassa de alta resistência sobre o morrote;
• Deficiência na mistura da argamassa de correção, permitindo a formação de grupos de cimento;
• Deficiência no preparo e aplicação da argamassa de ponte de aderência;
• Cura deficiente ou inexistente das argamassas aplicadas;
• Falta de dispositivos eficientes de transmissão de cargas entre placas;
• Arraso no programa de abertura das juntas serradas;
• Pouca profundidade na ranhura do corte da junta;
• Mau funcionamento do sistema de transmissão de cargas (desalinhamento das barras de transferência, ocasionado deficiência de movimentação);
• Insuficiência do suporte da sub-base;
• Excesso de vibração durante a operação de acabamento do piso, gerando fissuras superficiais;
• Deficiência na execução das juntas e de aplicação do selante;
• Deficiência na execução da base, ocorrência de vazios ou ninhos de pedra, por deficiência de adensamento;
GRUPO 3 – MATERIAIS INADEQUADOS
Emprego de materiais inadequados devido à falta ou deficiência no controle de qualidade, que deve ser executado através de fiscalização e ensaios, quer para qualificar os materiais possíveis de serem empregados, quer durante a execução em eventuais ensaios de comprovação da qualidade após a execução.
Emprego de concreto inadequado na base (laje): excesso de argamassa, exsudação elevada, resistências mecânicas inferiores às especificadas.
GRUPO 4 – UTILIZAÇÃO E MANUTENÇÃO DO PISO
Temos constatado inúmeros casos de patologia advindos de utilização e manutenção inadequada de piso.
Em sua grande maioria, pisos corretamente dimensionados e executados para determinados valores de carga e solicitações, com o passar dos anos o usuário, quer por modificações do layout de uso ou por mudanças de atividade, impõe aos mesmos carregamento e solicitações excessivas, tornando-os deficientes.
• Não atendimento às restrições de uso, limpeza e conservação do piso, de acordo com o “manual do usuário”.
SINTOMAS
– FISSURAS
– CONSIDERAÇÕES GERAIS
As causas de fissuração nem sempre são de fácil determinação, entretanto, o conhecimento das mesmas, e do fato que as produziu são de vital importância para definição do tratamento adequado para a recuperação.
A localização das fissuras nas placas, sua configuração, abertura, espaçamento e se, possível, a época em que a mesma ocorreu (após anos, semanas, ou mesmo, algumas horas, do término da concretagem), podem servir como elementos para diagnosticar a causa ou as causas que a produziram.
É de grande valia a verificação da aderência entre as várias camadas de materiais, principalmente nas partes do piso com fissuras. A verificação pode ser realizada mediante percussão; nos locais onde houver deficiência de aderência, o som se apresentará cavo.
Utilizar nesta operação um instrumento metálico não contundente.
– MICROFISSURAS
São consideradas microfissuras, aquelas fissuras que apresentam abertura inferior a 0,05 mm, sendo visíveis a olho nu, mediante encharcamento e secagem superficial do piso.
Apresentam-se distribuídas sobre a placa, com configuração indefinida, cortando-se entre-se, como um mapa hidrográfico.
As microfissuras tem como principais causas geradoras a retração hidráulica e retração plástica de argamassa, por falta ou insuficiência do processo de cura inicial, ocorrendo em consequência de secagem enérgica superficial nas primeiras horas após a aplicação da argamassa de alta resistência e antes que a mesma tenha apresentado fim de pega a resistência mínima à tração.
Podem também ser decorrente de excesso de vibração do concreto, gerando uma camada superficial com elevado teor de argamassa.
– FISSURAS – LOCALIZAÇÃO
A localização da fissura, bem como, sua configuração na placa de piso de alta resistência, tem colaborado sobremaneira para a identificação das causas geradoras.
– FISSURAS PARALELAS ÀS JUNTAS
Temos encontrado dois tipos de ocorrências;
• Fissuras paralelas às juntas, cortando várias placas de piso
São resultantes da discordância entre as juntas de argamassa de alta resistência, e juntas existentes na base de concreto, ou da redução localizada na espessura do contrapiso de correção (em razão da existência de dutos ou tubulações embutidas), ou ainda, de movimento de estrutura suporte.
• Fissuras paralelas às juntas, restritas à placas isoladas.
Geralmente decorrente da menor espessura da argamassa de alta resistência, próxima à junta e/ou de aderência deficiente, localizada entre a argamassa e o morrote de sustentação da junta.
– FISSURAS RADICAIS
Ocorrem geralmente em áreas localizadas, sendo decorrentes de um substrato (ou contrapiso de correção) com baixa resistência mecânica, ou com vazios, ou da deficiência de adensamento da argamassa de correção.
– FISSURAS PERPENDICULARES ÀS JUNTAS
Decorrentes da retração de uma das camadas do piso (base de concreto, contrapiso de correção, ou argamassa de alta resistência).
– FISSURA DE CANTO
Atribuídas geralmente, à retração acentuada, associada à uma perfeita aderência entre as camadas do piso, junto ao canto das placas. Podem ocorrer, também, durante o uso, devido à deficiência de aderência da argamassa de alta resistência, junto aos cantos das placas.
Caso a fissura atinja toda a espessura da placa (base de concreto) poderá ter como prováveis causas geradoras:
• Falta de dispositivo eficiente de transmissão de carga;
• Subdimensionamento da base;
• Recalque diferencial da placa;
• Empenamento da placa;
• Carregamento superiores ao previsto em projeto;
– FISSURAS PASSANTES PARALELAS OU PERPENDICULARES ÀS JUNTAS
São fissuras que atingem a espessura da base (laje de concreto) poderão ter como prováveis causas geradoras:
• Atraso no programa de corte das juntas serradas;
• Pouca profundidade da ranhura do corte;
• Condições climáticas mais severas que as previstas em projetos;
• Insuficiência de suporte sob-base;
• Subdimensionamento da espessura da base;
• Fadiga do concreto da base pôr Tráfego intenso e localizado;
• Recalque diferencial da base;
2. PLACAS TRINCADAS
Divisão da placa em várias partes, podem ser decorrentes do emprego de baixa qualidade, subdimensionamento da espessura da placa (base), baixa capacidade suporte da sub-base, bem como, progressão de fissuras paralelas ou perpendiculares às juntas.
– DESNÍVEL ENTRE A PLACAS (DEGRAU NAS JUNTAS)
Ocorre por deslocamento vertical diferenciado permanente de uma placa em relação a adjacente, na região da junta.
As principais causas geradoras são:
• Perda progressiva de eficiência da junta;
• Assentamento da sub-base;
• Bombeamento e erosão sob a base;
– DEFICIÊNCIA NA SELAGEM DAS JUNTAS
Caso haja espaço para penetração de material incompressível na junta ou água, seja por deficiência de selagem ou falta de manutenção, poderão ocorrer as seguintes anomalias.
Penetração de material incompressível:
• Quebra das bordas da placa;
• Ocorrência de fissuras radiais;
• Esborcinamento de juntas;
• Penetração de água;
• Perda localizada ou generalizada de suporte da sub-base ou subleito;
– BOMBEAMENTO
O bombeamento é a expulsão de finos plásticos, porventura existentes no solo de fundação do pavimento, sob a forma de lama fluída, pelas juntas e trincas da placa quando a passagem de cargas móveis solicitantes.
O carreamento destes finos ocasionará o descalsamento das placas que cobrem a área afetada, gerando deficiência de suporte e portanto, sofrerão tensões de tração superiores às previstas em projeto, o que acelerará o processo de fadiga do piso e sua ruptura precoce.
– PLACAS BAILARINAS
São placas com movimentação vertical visível sob a ação do tráfego, principalmente na região das juntas.
As prováveis causas geradoras são as perdas localizada ou generalizada de suporte da fundação, aliadas à existência de juntas ineficientes e à ação de tráfego pesado e canalizado.
– ESBORCINAMENTO DE JUNTAS
Este sintoma é notadamente acentuado nas juntas transversais do tipo abertas por corte, devido à falha ou má execução do corte e selagem das juntas e sujeita a tráfego médio alto.
Caracteriza-se pela quebra das bordas da junta, permitindo infiltrações de água e material incompreensível, comprometendo o funcionamento da junta.
– ESMAGAMENTO
Quando um piso de alta resistência, apresenta a argamassa ou substrato com baixa resistência mecânica ou com deficiência de aderência em região próxima às juntas e sua solicitação for intensa, as placas apresentarão, provavelmente, esmagamento da argamassa de alta resistência.
As causas mais frequentes são:
• Emprego de agregadores com resistência incompatível com o uso do piso;
• Dosagem inadequada, com a consequente baixa resistência mecânica da camada do piso;
• Desnível entre as placas;
• Falhas de adensamento das camadas do piso;
• Uso inadequado e/ou prematuro do piso.
– DESGASTE
O desgaste do piso de alta resistência além de provocar desníveis na placa, desprenderá pó, o que poderá inviabilizar a utilização a que se destina a área em questão.
O emprego da argamassa de alta resistência, composta por agregados de baixa resistência à abrasão, ou inadequada às exigências e solicitações de uso previstas, resulta em desgaste prematuro.
A aplicação de argamassa com elevado fator de água/cimento, bem como a má execução do estucamento e/ou incorreto polimento do piso, podem implicar em desgastes prematuro de aglomerante.
Acabamento inadequado da placa, ou incorretamente especificado, por desconhecimento na fase do projeto, do tipo específico de utilização e natureza dos produtos a serem estocados, também poderão gerar um quadro de desgaste prematuro do piso.
– DESAGREGAÇÃO
A desagregação do piso de alta resistência poderá ocorrer por ação de elementos químicos ou por esforços mecânicos ou impactos superiores para as características da argamassa de alta resistência.
– ATAQUE QUÍMICO
Genericamente, a desagregação por ataque químico consiste na deterioração da argamassa com reações químicas, não prostas, que têm origem na sua superfície, ou por eventuais fissuras existentes, estando excluídas as alterações decorrentes de reações álcali-agregado.
Dos componentes da argamassa, o cimento é o mais venerável, sofrendo a ação corrosiva, o que leva à perda de suas propriedades ligantes.
Como a corrosão da argamassa é de natureza química, suas causas fundamentais restringem-se a duas:
• Reações com hidróxido de cálcio proveniente da hidratação dos componentes do cimento;
• Reação com sulfato, com o aluminato tricálcico hidratado do cimento ou com alumina inerte numa solução satura de hidróxido de cálcio, dando origem à expansões.
A velocidade do ataque químico está relacionada com a concentração do agente agressivo, temperatura, probabilidade de contato do mesmo com o piso, a permeabilidade da argamassa de alta resistência e tipo de cimento utilizado.
Geralmente o agente no estado sólido seco e gasoso não ataca o concreto, porém em contato com umidade ou água poderá ser agressivo. Não pode ser descartada a possibilidade da ação combinada entre produtos químicos e até a presença de umidade, gerando compostos altamente agressivos.
A melhor preventiva contra a desagregação por ataque químico consiste em preparar uma argamassa densa, com cimento adequando ao meio a que estará exposto o piso.
Em meios fortemente agressivos é necessária a utilização simultânea de proteções que impeçam o contato direto com o piso.
– AÇÕES FÍSICAS
Caso o piso de alta resistência venha a receber cargas excessivas, poderá sofrer deformações elevadas, com o aparecimento de fissuras que poderão cruzar entre si, fazendo com que soltem partes da argamassa de alta resistência.
Eventuais impactos decorrentes de queda de materiais contundentes, sobre a superfície do piso, poderão provocar sua desagregação.
Os óleos de baixa viscosidade (de origem mineral, vegetal ou animal) são os que penetram mais profundamente na argamassa, atingindo seu interior, exercendo uma ação lubrificante, comprometendo a aderência entre a pasta de cimento e os agregados, desagregando a argamassa.
A agressividade dos óleos depende, também, de sua viscosidade. Quanto maior for a viscosidade, menor será o perigo que representam.
Também, os óleos velhos e oxidados exercem ação corrosiva; as gotas de lubrificantes, que caem das máquinas acabam por deteriorar os pisos.
– DESCOLAMENTO
O descolamento do piso de alta resistência deve-se à deficiência de aderência uma ou mais camadas de matérias que a compõem.
Geralmente temos visto ocorrer deslocamento entre a base de concreto e o contrapiso de correção, embora este fenômeno possa ocorrer em outras interfaces.
As causas prováveis de tal anomalia são:
• Deficiência na preparação da base de concreto quanto a:
• Aspereza ou rugosidade superficial;
• Limpeza, eliminação de atritos, poeiras, óleo etc;
• Encharcamento adequado;
• Aplicação de outra camada sobre a base de concreto antes de ter esta completado, pelo menos,7 dias de idade;
• Aplicação de ponte de aderência, sem controle do fator água/cimento;
• Ausência de sulcos no morrote de argamassa e de posicionamento da junta entre placas;
• Emprego de traço inadequado da ponte de aderência, contrapiso de correção e da argamassa de alta resistência;
• Inexistência de cura ou cura deficiente das argamassas supracitadas;
• Aplicação de argamassa de correção em espessura a 04 centímetros, ou inferior a 02 cm, gerando deficiência de aderência.
– EMPENAMENTO DA PLACA
O empenamento da placa é decorrente da retração diferencial da argamassa de alta resistência e o contrapiso de correção, associada a uma deficiência de aderência deste com a base de concreto.
Eventual deficiência na cura do piso e, eventual redução da espessura da argamassa de alta resistência nos cantos contribuem para que o fenômeno processe com maior intensidade.
– MANCHAS
Temos observado em muitas obras inspecionadas variações de tonalidades na superficie de placas de piso de alta resistência, sendo em sua quase totalidade decorrentes de:
• Variação na qualidade do agregado e de sua granulometria;
• Diferentes rugosidades superficiais em uma mesma placa, decorrentes de imperfeições do polimento;
• Manchas de correntes de desgastes do agregado e do aglomerante da argamassa de alta resistência;
• Diferença de tonalidade por provável contaminação de argila e/ou de outros materiais, devido ao emprego de agregados contaminados durante a estocagem, quando da aplicação, no processo de cura, ou na calda de estucamento do piso durante o processo de polimento;
• Vibrador com frequência inadequada às dimensões do agregado utilizado na argamassa de alta resistência.
– CONSIDERAÇÕES GERAIS
Em muitas ocasiões, o sintoma apresentado pode fornecer ao tecnologista, o diagnóstico de causa geradora. Em outros casos, porém, o problema é mais complexo, devendo ser submetidos a verificação o projeto, a especificação, bem como os procedimentos adotados durante a execução. Poderá ser necessária a realização de ensaios especiais, tanto no piso, quanto na base de concreto no contrapiso de correção, como na sub-base e no subleito.
– ANÁLISES
O fluxograma, a seguir esquematiza o roteiro a ser utilizado para análise e, consequentemente, determinação da(s) causa(s) gerador(as) de anomalia:
Todas as causas prováveis que possam ser responsáveis pela deterioração deverão ser consideradas na análise inicial de um patológico, até que sejam determinadas quais as que apresentam relação evidente com o problema.
